Da água ao fogo: a missão de quem dedica a vida a salvar outras vidas

2 de julho de 2026 - 12:50 # # # #

 

Nesta quinta-feira (2), Dia Nacional do Bombeiro Militar, a Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará (Aesp/CE) presta homenagem a homens e mulheres que fazem da proteção à vida uma missão cotidiana. Integrantes do Corpo de Bombeiros Militar do Ceará (CBMCE), eles atuam em incêndios, resgates, salvamentos e diversas outras ocorrências, sempre movidos pelo compromisso de servir à população.

Na terra, no fogo, na água ou no ar, um princípio orienta a atuação desses profissionais: a proteção da vida. É também esse compromisso que se traduz no lema do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Ceará: “Vidas alheias e riquezas salvar!”. Para a tenente Renata Michelli, ser bombeira militar é assumir um compromisso permanente com a sociedade. “E está preparada tecnicamente, fisicamente e psicologicamente para atuar quando as pessoas mais precisam.”, explica a oficial.

Segundo ela, cada operação reforça o propósito que a levou a seguir a profissão. “Toda vez que visto a farda, sinto orgulho e a responsabilidade que ela carrega. Ao entrar na viatura para uma ocorrência, meu foco passa a ser um só: fazer tudo o que estiver ao meu alcance para preservar as vidas envolvidas, minimizar o sofrimento das vítimas e garantir que minha equipe retorne em segurança”, afirma.

Nos corredores da Aesp/CE, por onde circulam diariamente centenas de futuros profissionais da segurança pública, a cadete do CBMCE Gyovanna também compartilha o orgulho de integrar uma instituição centenária dedicada à proteção da sociedade.

“Sinto-me cada vez mais feliz por pertencer ao Corpo de Bombeiros. Além do papel essencial para a segurança da comunidade, a corporação leva esperança para muitas pessoas. Tenho interesse por muitas áreas, mas ainda há muito o que aprender durante a formação prática. Espero que, após a formação inicial, já como tenente, eu possa atuar de forma dedicada pelo fortalecimento e pela capacitação dessa corporação tão respeitada e admirada”, destaca a futura oficial.

Para muitos, ser bombeiro é a realização de um sonho de infância renovado a cada chamado. O cabo Daniel, do Batalhão de Busca e Salvamento, diz que, além de concretizar esse sonho, a profissão carrega uma enorme responsabilidade. “A gente entra nos locais de onde as pessoas estão tentando sair. É desafiador, mas, ao mesmo tempo, muito gratificante viver esse sonho. Com toda sinceridade, sinto um frio na barriga a cada chamado. Toda ocorrência é diferente. Não existe sair para atender um acionamento sabendo o que vou encontrar”, relata.

O CBMCE atua em diversas frentes, do combate a incêndios às buscas e aos salvamentos, além de ações de prevenção e defesa civil, sempre com o objetivo de proteger a população. Para Daniel, no entanto, as ocorrências que envolvem o resgate de vidas são as mais marcantes.

“Houve o resgate de uma criança em estado grave. Depois de um ou dois meses, recebi uma mensagem informando que ela estava bem. Meu Deus… que felicidade. Acho que só vivendo para entender. Outra ocorrência marcante foi o desabamento do edifício Andreia. Foram cinco dias de trabalho exaustivo, com uso de maquinário e atuação entre os escombros. A gente trabalhava um período, ia para casa descansar e depois retornava. Mas, quando eu chegava em casa, tudo o que eu mais queria era voltar para lá. Havia a expectativa de encontrar pessoas com vida, então queríamos estar presentes na busca por essas vítimas”, compartilha o cabo.

A trajetória do AL-SD BM Gadelha, aluno-soldado do Curso de Formação de Soldados do Corpo de Bombeiros Militar do Ceará (CFSD BM), é marcada pelo legado familiar e pelo sentimento de missão que caracteriza a atuação dos bombeiros militares. Filho de bombeiro militar, ele cresceu acompanhando de perto a rotina da corporação, vivenciando o ambiente de quartel, as formações e as instruções desde a infância. Para Gadelha, integrar hoje o Corpo de Bombeiros Militar representa a realização de um chamado de vida. “É o cumprimento de uma vocação, de uma missão. Eu nasci dentro do Corpo de Bombeiros. Vivenciei o quartel, as formações, as instruções. Hoje, estar aqui é o cumprimento de um ciclo. Finalmente eu cheguei no meu lugar”, afirma.

Durante a formação, o aluno-soldado destaca a disciplina, a organização e a seriedade do curso como aspectos que mais têm chamado sua atenção. Entre as áreas de atuação da corporação, a que mais desperta sua identificação é o salvamento aquático, relação construída desde cedo, também pela influência do pai, que atuava como salva-vidas na praia do Icaraí. Foi acompanhando esse trabalho, ainda menino, que Gadelha fortaleceu a ligação com o mar e com a atividade de salvar vidas — uma vocação que, segundo ele, também se confirmou em experiências marcantes na adolescência e juventude, quando conseguiu retirar da água pessoas em situação de risco.

Com os olhos voltados para o futuro, Gadelha deseja atuar no salvamento marítimo e ampliar sua qualificação em cursos operacionais, especialmente nas áreas de mar, resgate, salvamento e altura. Ele também projeta, mais adiante, contribuir como instrutor na formação de novos bombeiros militares, dando continuidade ao ciclo de aprendizado e serviço que começou dentro da própria família. “Quero continuar aprendendo, fazer cursos na área do mar, da água, mas também em outras áreas. E quero passar esse conhecimento à frente”, projeta.