“PASSADO, PRESENTE E FUTURO”: A trajetória dos sonhos de futuros profissionais da Segurança Pública
28 de junho de 2026 - 16:40 #31º EPISÓDIO #Aesp/CE #CFOIP #Passado Presente e Futuro #PCCE
O quadro “Passado, Presente e Futuro” está de volta, trazendo novamente ao público histórias marcadas por superação, esforço e conquista dentro da Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará (Aesp/CE). A proposta é apresentar a trajetória dos alunos que atualmente participam dos cursos de formação da instituição e que, vindos de diferentes realidades, estados e regiões, chegaram à Academia por meio de concurso público. Antes, eram jovens e adultos carregando sonhos e expectativas. Hoje, vivem o presente da formação na Aesp/CE. Amanhã, estarão nas fileiras da Segurança Pública do Estado, assumindo a missão de servir à sociedade cearense.

Entre a música, sonhos e dever: conheça a história do aluno OIP Vitório que, para seguir seu sonho, abriu à mão de sua paixão e, hoje, é parte da Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará
Há sonhos que nascem como música: primeiro tímidos, quase sussurrados, e depois tão fortes que passam a ecoar por toda a vida. A história do aluno Oficial Investigador da Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE), é assim — feita de notas, coragem e escolhas que doem, mas também transformam. Entre o som encantado da sanfona e o chamado firme da missão de servir, sua caminhada foi sendo escrita com renúncias, perseverança e amor por tudo aquilo que dá sentido à alma. Esta é a trajetória de um homem que aprendeu, desde cedo, que sonhar exige coragem, e que, mesmo quando a vida pede sacrifícios, o verdadeiro dom jamais se perde: ele apenas espera, paciente, o momento de voltar a florescer.
PASSADO

Natural de Teresina, no Piauí, Mateus Felipe de Oliveira Vitório cresceu em um ambiente profundamente marcado pelo forró e pela cultura nordestina. Filho de Francisco Vitório de Souza e Maria Augusta Esteves Vitório, ele teve a infância embalada pelo som do triângulo, da zabumba e da sanfona — instrumento pelo qual desenvolveu, ainda cedo, uma forte admiração, inspirado pelo legado de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião.
“A sanfona sempre foi minha paixão, meu refúgio, minha terapia”, relembra.

Apesar do desejo antigo de aprender a tocar, foi somente em 2016 que Mateus conseguiu realizar esse sonho. Naquele ano, adquiriu sua primeira sanfona e passou a dedicar ainda mais espaço à música em sua rotina.

No ano seguinte, em 2017, fundou ao lado dos primos Gabriel e Gustavo o Trio GM, grupo de forró pé de serra que se apresentou em diversos eventos em Teresina, levando alegria ao público por meio da tradição musical nordestina.
Naquele período, Mateus conciliava diferentes responsabilidades. Durante a semana, dividia o tempo entre a graduação em Direito, o estágio em um escritório de advocacia e a preparação para concursos públicos. Nos fins de semana, porém, era nos palcos que encontrava espaço para exercer sua paixão pela música.
Com o passar do tempo, as exigências da vida acadêmica e profissional se intensificaram. Em 2021, Mateus concluiu a graduação em Direito e, paralelamente, viu crescer o desejo de seguir carreira na área policial. A nova fase trouxe também um dos primeiros grandes desafios de sua trajetória: equilibrar o sonho musical com o objetivo de ingressar na segurança pública.
Embora a música continuasse ocupando um lugar importante em sua vida, a necessidade de priorizar os estudos e a preparação para os concursos falou mais alto. “Sonho é sonho, e às vezes você tem que dar um passo para trás para seguir nesse sonho”, afirma.
Foi nesse contexto que o Trio GM interrompeu as apresentações, marcando uma pausa em sua trajetória musical para que Mateus pudesse se dedicar integralmente a um novo projeto de vida.

PRESENTE
Após anos de dedicação aos estudos e a conquista de cinco aprovações em concursos, Mateus Felipe de Oliveira Vitório viu na oportunidade de ingressar na Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) a realização de um objetivo especialmente significativo. Admirador da instituição, ele iniciou uma nova fase de sua trajetória ao entrar no Curso de Formação de Oficiais Investigadores da PCCE, realizado na Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará (Aesp/CE).
A mudança para o Ceará, no entanto, trouxe não apenas expectativas, mas também desafios financeiros e pessoais. Para arcar com as despesas do enxoval, moradia, alimentação e transporte, Mateus precisou tomar uma decisão difícil: vender sua sanfona, instrumento que sempre ocupou um lugar central em sua vida.
“Precisei me desfazer do meu instrumento para conseguir realizar esse sonho”, relembra.

Segundo Mateus, o momento exigiu coragem para seguir adiante, mesmo diante das renúncias. “É fácil olhar para a distância que ainda falta percorrer, mas não esqueça da distância que você já percorreu”, afirma. A reflexão, segundo ele, foi essencial para manter o foco no objetivo e não recuar diante do desafio final antes de alcançar a nova etapa profissional.
Desistir da carreira policial, afirma, nunca esteve entre as possibilidades. “Desistir? Eu não carrego, na minha vida, a palavra desistir”, declara. A mesma persistência que o levou à Academia, segundo ele, foi a que anos antes o impulsionou a aprender a tocar um instrumento complexo como a sanfona.

Mesmo com a venda do instrumento, Mateus destaca que sua ligação com a música permanece intacta. “Eu vendi apenas o meu instrumento, não o meu dom”, afirma.
Hoje, como aluno do Curso de Formação de Oficiais Investigadores da Polícia Civil do Ceará, Mateus vive de forma intensa a realização de um novo sonho. “A dor é passageira, mas a vitória é certa!”, repete.
Ao revisitar a própria trajetória, ele reconhece o peso das escolhas e renúncias que precisou fazer para chegar até essa etapa, mas também celebra a conquista de estar se preparando para servir e proteger a sociedade cearense. Nesse processo, destaca ainda o acolhimento que vem recebendo dos colegas ao longo da formação, fator que tem tornado a adaptação mais leve e fortalecedora. Para ele, a convivência com alunos de outras instituições, como o Corpo de Bombeiros Militar e a Polícia Militar do Ceará, também amplia a experiência na Academia, ao reforçar a importância da integração entre as forças de segurança, da troca de conhecimentos e da construção de um espírito de cooperação fundamental para a atuação em defesa da sociedade.

FUTURO
Enquanto se prepara para atuar na segurança pública, Mateus Felipe de Oliveira Vitório mantém vivo não apenas o desejo de voltar a tocar sanfona, mas também a convicção de que está construindo, no Ceará, o caminho que deseja seguir profissionalmente. A mesma determinação que o levou até a Aesp/CE agora o impulsiona a permanecer na Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE), instituição na qual pretende consolidar sua trajetória e, futuramente, alcançar o cargo de delegado de Polícia Civil.

Ao projetar os próximos passos, Mateus também destaca a importância do acolhimento que tem recebido ao longo da formação. Para ele, o apoio dos colegas, a convivência diária e o ambiente de integração fortalecem ainda mais sua certeza de que fez a escolha certa. Inserido em um contexto de aprendizado conjunto com profissionais e alunos de outras forças, ele reconhece no Ceará uma referência na formação e na atuação da segurança pública, o que reforça sua admiração pela instituição e pelo estado que escolheu para construir esse novo capítulo de vida.

Mesmo com o foco voltado para a carreira policial, a música continua ocupando um espaço afetivo importante em sua história. O desejo de voltar a ter uma sanfona e retomar essa paixão acompanha seus planos com a mesma intensidade de antes, agora somado ao propósito de servir à sociedade cearense por meio da Polícia Civil.
A trajetória de Mateus revela que sonhos podem exigir renúncias ao longo do caminho, mas também mostra que propósito, disciplina e perseverança são capazes de transformar desafios em conquistas.
Entre a vocação para a segurança pública e o amor pela música, ele segue olhando para o futuro com a certeza de que ainda tem muito a realizar.
