Aesp promove curso especializado em exame cadavérico de feminicídio

28 de maio de 2026 - 14:23 # # #

Por trás de cada investigação de feminicídio existe um trabalho técnico que busca transformar vestígios em respostas. Marcas, lesões e evidências biológicas ajudam a reconstruir a dinâmica do crime e podem ser determinantes para a responsabilização dos autores. Foi com esse propósito que a Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará (Aesp/CE), em parceria com a Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce), realizou o Curso de Exame Cadavérico em Feminicídio.

Com carga horária de 20 horas-aula, a capacitação foi realizada nos dias 27 e 28 de maio e teve como objetivo aperfeiçoar a atuação de profissionais que trabalham diretamente na investigação de mortes violentas de mulheres, com base em protocolos especializados e diretrizes nacionais e internacionais voltadas à investigação com perspectiva de gênero.

Durante a formação, os participantes aprofundaram conhecimentos sobre a análise de lesões frequentemente associadas aos crimes de feminicídio como marcas de defesa, lesões de ataque e indícios de violência continuada. A capacitação também abordou métodos de identificação, interpretação e documentação de vestígios que auxiliam na reconstrução da dinâmica dos fatos.

Entre os conteúdos trabalhados estiveram as formas mais recorrentes de violência observadas nesses casos, incluindo asfixias mecânicas, ferimentos por arma branca e traumas contusos. O objetivo foi fortalecer a capacidade dos profissionais de reconhecer e interpretar evidências de forma precisa e tecnicamente fundamentada.

A formação também contemplou a coleta de vestígios biológicos, a preservação da cadeia de custódia física e digital e a documentação fotográfica padronizada dos exames periciais. “Todo o processo foi orientado pela preservação da cadeia de custódia física e digital, garantindo que fotos, gravações e demais registros mantenham valor probatório durante a investigação criminal e o processo judicial”, destacou o coordenador do curso da Aesp, Carlos Henrique Moraes.

Outro ponto abordado foi a identificação de possíveis históricos de violência anteriores ao crime. Cicatrizes, lesões em diferentes estágios de recuperação e outros sinais podem indicar agressões recorrentes, contribuindo para a compreensão do contexto em que ocorreu o feminicídio.