Por trás da farda: AESP compartilha a rotina de quem concilia maternidade e formação

10 de maio de 2026 - 20:56 # #

Para as cadetes Thais Cezar e Nara Iris, a disciplina começou antes mesmo da farda da Polícia Militar do Ceará (PMCE). Surgiu na maternidade, entre noites em claro divididas entre o cuidado com os filhos e os estudos. Para muitas mães, cada hora dedicada à preparação não é ausência, mas um gesto de amor e compromisso com o futuro.

Hoje, esse esforço ganha forma nas salas de aula da Academia Estadual de Segurança Pública (Aesp/CE), onde as duas participam do Curso de Formação de Oficiais (CFO) da PMCE.

Natural de Crateús, a mais de 350 km de Fortaleza, Thais enfrenta uma rotina marcada pela distância. Durante a semana, dedica-se integralmente ao curso. Nos fins de semana, retorna para casa e para a filha, Antônia, de seis anos. Apesar da adaptação, a saudade permanece. Mesmo à distância, Thais acompanha de perto a rotina da filha, organizando compromissos e participando por meio de chamadas de vídeo. “Eu já deixo tudo programado antes de sair: os dias da natação, da psicóloga. Assim, mesmo de longe, estou sempre perguntando. Hoje eu já chorei duas vezes porque é a apresentação de Dia das Mães na escola dela e eu não poderei estar lá”, relatou.

Arquivo pessoal. Cadete Thaís e filha.

A trajetória da cadete Iris também é marcada por desafios. Antes de ingressar no CFO, ela já atuava como policial militar. Decidiu prestar o concurso enquanto vivia em Russas, a quase 170 km da Capital, conciliando estudos, trabalho e os cuidados com o filho, Pedro. A rotina começava ainda de madrugada e seguia ao longo do dia entre compromissos familiares e profissionais.

Com a aprovação, veio a mudança para Fortaleza ao lado do filho. “Quando meu nome saiu no Diário Oficial foi um misto de medo, ansiedade, mas também de alegria, porque todo aquele esforço valeu a pena”, conta.

Arquivo pessoal. Cadete Nara Íris e filho.

Sem a rede de apoio, a rotina se reorganizou, mas segue intensa. Iris inicia o dia antes da alvorada, prepara o filho para a escola e, sempre que possível, retorna para casa durante o intervalo para estar com ele. Ao final do dia, acompanha as atividades escolares e mantém a rotina de cuidados.

Hoje, com sete anos, Pedro estuda em um colégio militar e já está familiarizado com a rotina da mãe. Ordem unida, para eles, já não é apenas disciplina; é uma tradição que passa de mãe para filho. Para eles, a disciplina vai além da formação: é um valor compartilhado dentro de casa.