Onde a tradição resiste: o som da corneta que ecoa na Aesp

6 de outubro de 2026 - 14:15 # # # #

Nos corredores da Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará (Aesp/CE), há um som que atravessa o tempo. As notas da corneta não apenas organizam rotinas, elas carregam história, disciplina e pertencimento. A cada toque, um chamado. A cada melodia, um gesto de respeito que atravessa gerações.

Presente na cultura militar há séculos, a corneta nasceu de instrumentos rudimentares, como chifres e conchas, utilizados em batalhas e caçadas. Com o tempo, ganhou forma metálica e função precisa. Hoje, segue como um dos símbolos mais tradicionais das fileiras militares, responsável por transmitir ordens, marcar momentos e conduzir cerimônias.

Na Aesp/CE, essa tradição permanece viva. Os toques executados seguem o regulamento de continências, honras e sinais de respeito das Forças Armadas, conforme o Manual de Toques do Exército Brasileiro (C 20-5). Cada som tem significado próprio: anuncia o início do dia, orienta formações, marca refeições e também presta homenagens em solenidades.

Entre 2024 e 2025, a Aesp/CE capacitou 24 profissionais, sendo 20 policiais militares e quatro bombeiros militares, para a execução dos toques regulamentares. Durante a formação, os alunos aprenderam história, técnica e prática do instrumento. Mais que habilidade musical, o processo exigiu controle respiratório, postura e disciplina. Para o corneteiro da Aesp, soldado da Polícia Militar Rodrigo Silva, tocar o instrumento vai além da técnica. “É uma responsabilidade e também uma honra. A corneta representa valores como disciplina, respeito e organização. No dia a dia, isso se reflete no compromisso com a excelência e na consciência do papel que ela tem na formação dos militares”, afirma.

Com experiência anterior como corneteiro do Exército Brasileiro, ele destaca que o aprendizado exige dedicação, mas também compreensão do seu significado. “No início é desafiador, mas a evolução vem com prática e foco. Cada toque precisa ser executado com responsabilidade, disciplina e orgulho, porque ele carrega valores institucionais que não podem se perder”, completa R. Silva.

Mais do que um instrumento, a corneta é memória viva. É o som que organiza, que orienta e que conecta passado e presente. Na Aesp/CE, cada nota reafirma que tradição não é apenas herança, é compromisso diário de manter viva a essência das instituições.